Na ponta do Lápis

Roda Viva

Setembro 13, 2009 · 1 Comentário

 

A vida roda. A roda gira. A roda é viva.

Não me senti como se tivesse partido ou morrido

Apenas girado. E girado o mundo num só instante.

 Aquele instante.

O do silêncio, do olhar, do calar, do amar

Tudo no mesmo momento, mesma hora, agora, já

Mas cansei de somente ver a vida rodar.

Botei o pé na estrada.

“Um movimento progressivo em direção ao horizonte” 1

A estrada nada me cobra: “No games. Just sports” 2

Ela me faz enxergar: pode ser impossível.

Mas “o impossível só existe até que alguém duvide e resolva provar o contrário.”. 3

Então, pode ser possível?

Não sei, “pode ser possível não ser possível de ser possível.”. 4

Mas, não pode ser impossível.

“pode ser possível não ser possível de ser possível.”.

“pode ser possível não ser possível de ser possível.”.

A repetição do ato se transforma em um enigma.

E “a explicação do enigma é a repetição do enigma.” 5

A vida roda. A roda gira. A roda é viva.

___________________________________________________

1- frase de um certo professor da faculdade

2 - Propaganda publicitária da Nike no filme ”Do que as mulheres gostam”

3 – Albert Einstein

4 – Clarice Abdala, jornalista

5 – Clarice Lispector, escritora

A vida roda. A roda gira. A roda é viva.

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cadê a laranja?

Agosto 23, 2009 · 1 Comentário

copiadas setembro 138Quando eu era pequena, me achava uma criança estranha. A primeira coisa que todos os netos faziam quando chegavam na casa da vovó, era correr para o enorme pote de balas em cima da mesa da cozinha. Enquanto minhas primas disputavam sete belo, juquinha e as outras, eu, estranha, pegava a bala de tamarindo.

Só hoje reparei duas coisas: ô balinha ruim. E não. Eu não era tão estranha.

Hoje o Lucas, meu vizinho de cinco anos, chegou aqui em casa e, como de costume, minha mãe abriu o pote de chocolates e balas pra que ele pegasse. O menino foi um gentleman. Pegou uma bala de morango, saiu feliz e foi correndo atrás do meu pai.

O ‘tio moliço” dava banho no cachorro, mas, mesmo assim, Lucas foi lá, puxou o short do meu pai e disse:

- Tio, não quero bala. Quero Laranja.

Essa semana foi laranja, mas meu pai contou que é sempre assim: maçã, pêra, tangerina… Tô vendo o dia que ele vai gritar pedindo chicória.

Onde esse mundo vai parar com essas crianças saudáveis!? E eu que era a estranha…

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A espera no jardim

Agosto 17, 2009 · Deixe um comentário

escrito em 16/08/2009

Éramos duas mulheres sentadas lado a lado no banco do jardim do hospital. Em minhas mãos trêmulas, uma bolsa vermelha de couro de uma marca pouco conhecida, mas que mordeu boa fatia do meu salário. Nas mãos dela, uma sacola de plástico de um mercado pouco conhecido, mas foi onde ela deixou um enorme pedaço de seu salário. Aquilo que nos colocavam em camadas distintas da sociedade do lado de fora dos portões do jardim, ali dentro não significavam nada.

Apesar disso, semelhanças nós tínhamos aos montes. A mais importante delas: meu avô e o dela lutavam pela vida dentro do mesmo quarto. Do pai do pai dela confesso que nada sei. Do meu avô, digo apenas que carrega a personalidade no nome: Pedro. E como pedra se faz duro diante dos obstáculos. Como touro luta para se manter de pé depois do 4º infarto.

Os minutos passavam angustiantes. No infinito quarto de hora que passei sentada no banquinho, observei como cada instante da vida é desperdiçado com coisas inúteis, enquanto podemos experimentar os pequenos prazeres que a vida nos oferece, como descobrir naquela mulher ao meu lado as mesmas convicções, os mesmo medos e receios.

Nunca topei com aquela mulher na vida. E, provavelmente, nunca mais vou ver novamente. Mas, certamente, quando o relógio apontou 4:30, passou pelo portão a única coisa em comum que realmente importava: a fé de que o impossível pode acontecer.

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reprise

Agosto 17, 2009 · Deixe um comentário

escrito em 12/08/2009

Ele é Botafoguense que nem eu. E, por uma infeliz redundância, chorão, azarado e tem mania de perseguição. Claro. Se não fosse, não seria alvinegro e muito menos meu avô.

Qualquer palavra hoje para definir o velho português/polonês da perna de pau é pouca.

 Grandes detalhes da vida o vento leva. A memória não é eficiente para guardar. Mas são seus menores feitos que ficam gravados na pele. O cheirinho do feijão fresco temperado no alho, a carinha feliz por trás da porta se escondendo cada vez que chega em casa, o “iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiriiiiiiis” gritado seguido de um “Nada não!”,  os bicos feitos de pirraça porque não quer comer, o dinheiro que aparece “misteremicamente” na carteira no fim do mês e até mesmo a famosa frase “Será que vou estar aqui pro seu próximo aniversário, casamento, formatura…?”.  Nem do diálogo mais famoso vou me esquecer.

 - aaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhh, ta doendo!!!

- O que eu fiz???

- Você pisou na minha perna de pau!

 Ele era o mais tranqüilo em 12 de gosto de 1987 aqui em casa, onde a palavra de ordem era apreensão. O primeiro bebê da família chegava três meses antes do previsto. No dia dos pais, no aniversário do pai. Na mesma data, anualmente, a família reprisa o episódio:

 Minha mãe já estava internada no hospital, meu pai foi fazer a visita de rotina junto com minha tia e, quando voltavam e estacionavam o carro na garagem de casa, minha avó gritava pela janela “Nasceu! Nasceu!”. Sim, nasci nos minutos que separam a Casa de Saúde São José, em Botafogo, e a Rua Evangelina, em Olaria.

Ele, claro, me pegou no colo, me admirou, segurou meus dedinhos e disse:

 - Ainda bem que vi você nascer.

 E começou a chorar. Ele não sabia que aquela em seus braços seria a primeira de sua grande coleção. Assim como a reprise desta história, e de forma mais brilhante que no ano anterior, o mesmo choro se repete: aniversário de um ano, primeiro dia de aula na escola, primeira apresentação de balé, primeira viagem sozinha, 15 anos, passagem pelo vestibular… e qualquer outro tipo de avanço na minha vida. Junto com as lágrimas, vem a pergunta.

 - Será que ficarei vivo para ver seu próximo passo?

Pela primeira vez em vinte e dois anos, história não se repetiu. Em doze de agosto de 2009, a palavra aqui em casa é, mais uma vez, apreensão. Hoje não tem festa. Não tem bolo. Sem comemorações ou parabéns. Meu presente é ter ele aqui do meu ladinho. Volta logo, vô. Mesmo que seja só pra me dizer que não vai ficar pra formatura.

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não me peça confiança

Agosto 11, 2009 · Deixe um comentário

Dizem por aí que eu preciso de um namorado. Meus pais querem me casar para se aposentar e subir a Serra. E para ficarem tranqüilos em Teresópolis, precisam saber que terá alguém ao meu lado impedindo que o fogo tome conta da cozinha na hora da janta e que outros imprevistos aconteçam. As amigas profetizam:

- Você vai sair mais de casa. Com boa companhia, quem vai querer ficar agarrada às almofadas do sofá em pleno sábado à noite?

Todo mundo quer dar o seu pitaco:

- Um fanático por futebol, assinante do pay-per-view e do mesmo time que você. É a solução para seus problemas com o esporte. E ainda dá uma garibada na sua auto-estima!

As interesseiras enumeram:

- Bonito, alto, charmoso, com um belo carro e dinheiro na conta. É esse!

 Ultimamente, nada disso me chama atenção. Acho que estou traumatizada com a espécie que insiste em roubar minha perseverança. E por falar em roubo, quinze dias atrás coloquei a cereja no bolo de ódio ao sexo oposto.

O episódio não foi um assalto convencional, com bandido fazendo mocinho de capacho. Foi, na verdade, o roubo da minha inocência e da minha confiança nas pessoas desse mundo. Principalmente nos homens.

Ônibus lotado. A moça serelepe de pé fala ao telefone com o irmão. O frio garantiu que ela saísse de casa vestida em um casacão com bolsos enormes, onde ela depositaria o celular após a breve conversa. Isso mesmo, depositaria. Como ela tem a fama de ser um pouco… desastrada, óbvio que o aparelho não foi parar na bolsa e muito menos no bolso. Estatelado no chão metálico do ônibus, fez o maior barulho. Todos os passageiros olharam.

O senhor de belas vestes ao lado da rapariga levou suas mãos ao chão rapidamente. -

 Que cavalheiro, ela pensou.

 E tão rápido quanto o movimento das suas mãos, o ônibus parou no ponto, abriu as portas e tal cavalheiro desceu com o celular da jovem nas mãos. Isso mesmo. Ria de mim, me chame de burra e do que mais quiser.

Se antes havia uma pequena barreira me separando da categoria masculina, a partir de agora, é o muro de Berlim. Não aceito qualquer tipo de cortesia masculina. Não adianta vir com flores, puxar cadeira no restaurante ou abrir porta do carro pra eu sair. Desisto.

ps.: Um texto confuso que nem meu pensamento. Foi apenas um desabafo.

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Workshop de jornalismo

Maio 25, 2009 · 2 Comentários

Vamos lá, 3, 2, 1, Ao Vivo! É dada a lagada para a adrenalina correr pelo corpo. Do estúdio, o comentarista anuncia as primeiras informações do pré-jogo e garante ao repórter – onde quer que ele esteja – o nervosismo da espera: Que horas esse homem vai me chamar? E o que ele quer que eu diga? 

Eu, repórter de mãos trêmulas e suadas,  estou do lado de fora do Maracanã para falar sobre os problemas que os torcedores enfrentam para entrar no estádio. Mas em quinze segundos, de acordo com a vontade da voz que berra em meus ouvidos, estou em Minas, para conversar com a família de um jogador temperamental que nunca nem ouvi falar. 

- O que tenho que dizer ao vivo, de frente para a câmera? – me desesperei

- Não sei, inventa; me disse pelo ponto

No último mês, profissionais da Sportv garantiram a estudantes de comunicação uma boa dose de dicas para o aperfeiçoamento profissional nas aulas do workshop de jornalismo esportivo para TV e das oficinas de narração esportiva.

Na confusão da primeira aula sobre transmissão ao vivo, alguns alunos, é claro, fogem e prometem nunca mais pegar no microfone. Outros, que nem eu, choram de alegria, querem repetir a experiência pelo resto da vida.

 E para quem não experimentou o gostinho da “servidão que se alimenta de imprevistos da vida”, pode ter a segunda chance com a próxima etapa de workshops.

As incrições já estão abertas para os cursos de Transmissão Ao Vivo, com Vanessa Riche, Thiago Teixeira e Pedro Ribeiro ; Jornalismo Esportivo para TV – avançado , Com Vanessa Riche e Renata Cordeiro; Narração e comentários para TV, com João Gulherme e Alex Escobar ; Humor e Transgressões na TV, com Smigol e Pedro Henrique Peixoto; e Locução para Rádio FM, com Cabeção e Ricardo Gama.

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corpo a corpo

Maio 25, 2009 · Deixe um comentário

Troupp Pas D'argent em cena

Troupp Pas D'argent em cena

 A   falta de público e de investimento em pequenos grupos teatrais não desanima os atores. Quem não tem verba para pagar gigantescos outdoors (grande placa ao ar livre, como diria nosso prefeito) arranja soluções criativas para engordar o orçamento.

 A Troup Pas D’ argent, em cartaz com a peça Cidade das Donzelas, sai às ruas da Zona Sul caracterizada  e cantando as músicas do espetáculo para arrebanhar plateia para a apresentação.
Indicada ao Prêmio Shell 2009 pela pesquisa de movimento, de setembro a dezembro do último ano, cidade foi apresentada em Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas. E 2009 começou com o pé na estrada. Em janeiro, a Troupp embarcou para o Chile, para o Festival Entepola de Teatro, onde garantiu 6 mil pessoas na platéia. Em junho o grupo viaja para Quito e Manchala, no Equador, para o circuito de apresentações internacionais. Vale a pena conferir.

Serviço:

Até  dia 14 de junho, Cidade das Donzelas está em cartaz no Teatro Café Pequeno, na Avenida Ataúfo de Paiva, número 269, no Leblon. Sextas e sábados, às 21; domingos às 20 horas. A entrada custa 20 reais, e a meia, é claro, 10.

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furona, sim!

Maio 25, 2009 · Deixe um comentário

Se você quer ser meu amigo, corra. E aconselho a todos aqueles já meus amigos sedentários, é bom levantar e fazer exercícios.

Sou o tipo de pessoa que precisa de … coleira.  Sou aquela que fura, a que esquece, a que tudo perde. Então, amigos, desde já aviso se quiser me tirar do sofá, corra me amarre aos seus pés, meu sofá no formato do meu corpo é muito convidativo

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minha cachaça

Abril 12, 2009 · Deixe um comentário

“Quem não sofreu essa servidão que se alimenta de imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral o fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido e esteja disposto a viver só pra isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte.”

Gabriel García Márquez
escritor e JORNALISTA

Um dia serei como ele… será que posso?

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Iris, muito prazer

Abril 10, 2009 · Deixe um comentário

      “Me chamo Iris porque meu pai quis. Mas poderia ser Érica ou Thiago.” Vou ser jornalista. Estou no sétimo período, tenho 21 anos, um emprego e uma carteira de motorista que não me serve. Falo inglês, sou brincalhona, metodológica e chorona, este é o meu forte. Gosto de Gabriel García Marques, teatro, cinema, boa música e de fazer críticas, calma, só a mim. Me cobro demais e pra mim e de mim, nada nunca está bom. Escolhi ser assim por natureza e louca por profissão.

     Jornalismo é apenas um vício, minha cachaça. “Quem não sofreu essa servidão que se alimenta de imprevistos da vida não poderá entendê-la”. “Não sou atriz, modelo, dançarina.” Já fiz tudo isso, mas hoje, “meu buraco é mais em cima”. Ou mais embaixo. Trabalho na TV Alerj. Depois de oito meses vivendo no confinamento da Casa mais vigiada do Rio, vi que política não é a minha praia. Quanto mais aprendo, mais vejo que nada sei e que o nada combina muito pouco comigo.  Faço reportagens, edito matérias, vou pra rua e dou muitos sorrisos amarelos pra políticos beges.      

    Antes da casa legislativa, trabalhei na PUC,  na TV Portal PUC – Rio Digital, o berço da minha paixão, onde foi gestado o meu futuro. Tenho orgulho de dizer que integrei o primeiro grupo de estagiários, desde quando tínhamos cinco cadeiras e quatro computadores, 3, “Um é da Carla e ninguém mexe”. Fiz produção, etiquetei fitas, filmei, editei. Fiz amigos, ri, brinquei, aprendi a ser gente. Fiz festa. Fui Repórter, entrevistei ministro e entrei no ar “Ao Vivo, para o Portal PUC Rio Digital”.

     Acho que é por isso que gosto da TV. Ela me encanta. Não só pelo fato de protagonizar as melhores cenas de Iris e seu travesseiro, a novela do cansaço real, mas por me proporcionar a dificuldade e fascínio de combinar texto e imagem, trabalhar com diferentes linguagens, som e silêncio, preto e branco, extremos e contrários. Aparecer no vídeo é apenas gota no oceano. Dá prazer me ver mais gordinha na tela.

ps: Minha meta é aprender arte. A de cortar palavras, eu escrevo demais. 

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